quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Trinta e um de Dezembro de dois mil e vinte e cinco

Dois mil e vinte e cinco. Foram 12 meses, 52 semanas, 365 dias, 8760 horas. A impressão que tenho é que vivi muito mais que isso. Parece que foram umas 6 vidas, pelo menos. 
E eu me mantive esperançosa, sorridente, trabalhei, acolhi, abracei, sorri, ensinei, aprendi. Mas não me permiti. Talvez, nessa minha mania besta de ser autossuficiente, eu não soube pedir colo. Me fiz de forte quando deveria só desabar. Ajudei todos que pude mas não soube pedir ajuda (só quando não teve jeito).
Força definitivamente foi a palavra do ano. No entanto, eu deveria ter desabado. Às vezes nós precisamos desabar para reconstruir, reerguer. E eu não me permiti.
Mas hoje, 31 de Dezembro, eu estou desabando. Sozinha em casa, depois de cumprir todas as obrigações. E sem coragem de falar pra ninguém, apenas escrevendo aqui, porque ninguém lê mesmo (ou será que lê?).

O meu maior desejo para 2026 é que seja um ano mais gentil comigo e que, quando não for, me ofereça colo. Um colo sincero, o aconchego de quem quer de fato estar ali. E, acho que se 2026 pudesse desejar algo de mim, seria que eu peça mais esse colo e que saiba aceitar, sem desconforto.

Eu não queria passar essa virada de ano sozinha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Resposta

Eu gostaria de ter mais coragem. Talvez falar diretamente. Mandar esse texto em uma conversa particular. Eu gostaria, também, de não sentir que precisava escrever isso. As coisas seriam normais entre a gente, e estaríamos dando risada ou você estaria muito impaciente na fila de uma exposição que eu escolhi e eu tentaria de todas as maneiras distrair você. 

A nossa amizade teria tudo pra ser linda (muito difícil escrever no passado, em sentido gramatical e emocional). Teria e não é porque você não me ouve nem me enxerga. Eu explico: você me vê, mas não me enxerga, você entra no seu eu e apenas se vê. Acho que até hoje não entende porque não nos vimos mais não é? Talvez não se importe, também, quem sabe... 

Mas eu penso com frequência em você. Sempre que tem alguma coisa cultural, algum show que eu tenho plena certeza que você curtiria ao meu lado... Sua companhia tornava as coisas mais leves, só que não era uma companhia constante. E instantaneamente eu lembro de todas as vezes que você marcou e desmarcou com alguma desculpa e eu descobria (ou você, sem querer soltava) que era porque você achou algo melhor pra fazer (ou alguém que era prioridade). Você vai até pensar que é exagero, não é? Mas é exatamente assim que me sentia.

Até que um dia, um senhor me fez prometer que não falaria mais com você, pois todas as vezes eu saía machucada. Era pra eu deixar você vir até mim. Você nunca veio. Talvez por isso eu estou escrevendo aqui ao invés de falar diretamente pra você. Talvez, e só talvez, por isso minhas memórias carinhosas com você sejam tão vividas a ponto de quase esquecer o exato momento que você me machucou. 

Apesar de tudo isso, eu sinto sua falta.

terça-feira, 15 de março de 2022

A Torre

; parece até que foi ontem que estávamos ouvindo Frozen no sofá. Naquele momento, por um breve espaço de tempo, não me senti tão solitária. As esquisitices, algumas breguices, o contemplar do silêncio, tudo isso fazia parte de uma coisa muito maior, algo que existiu e resistiu ao tempo, à distância, às diferenças políticas...

Mas foi ontem, ontem mesmo, que me dei conta. Só ontem aprendi você, aprendi seu eu machucado, cansado e, dentro desse eu, nunca teve espaço para mim. Digo isso pois não foi a primeira vez que as "brincadeiras" e pequenas grosserias coexistiram num dia de céu azul. Todas as vezes em que esteve no seu limite, você quase ultrapassou o meu - convenhamos, dessa vez você ultrapassou mesmo -.

Não houve tempo para que a gente se apaixonasse. Era uma amizade muito bonita e honesta. E digo isso no passado, mesmo com muita dor, porque dentre as coisas que me magoam, ser mal interpretada e ver que alguém que eu achava, que eu permiti me conhecer, não quis de fato, olhar pra dentro de mim, tem um gosto amargo demais, não desaparece facilmente.

Às vezes parece que foi proposital, quanto mais eu me aproximei, sem nenhuma intenção obscura ou que não fosse recíproca, mais sua dor me afastou. 

Essa semana, ao estudar o tarô, eu tirei repetidas vezes a carta da torre. Estava ali mas me recusei acreditar que algo que parecia tão sólido, poderia desabar tão facilmente. Não vou dizer que é impossível, nada é, mas o estrago no quarteirão que um desmoronamento causa leva muito tempo para reconstruir. Precisa limpar o ambiente, juntar o entulho e examinar cuidadosamente o que ainda importa, o que precisa ser deixado de lado e o que pode ser agregado à nova estrutura.

Eu iria em todas as exposições possíveis mesmo achando o ambiente sufocante, opressor e preferir, mil vezes, estar ao ar livre. Iria apenas pelo prazer da sua companhia. 

Eu não tive nem tempo nem a chance de me apaixonar por você. Eram duas solitudes, uma muito trabalhada (talvez demais) e outra escondida numa casinha lá no fundo, camuflada nas diversões casuais que preenchem um breve espaço de tempo. Eram apenas pessoas que gostavam uma da companhia da outra.

Naquele dia em que você me disse 'não se preocupe, você não está sozinha, eu vou cuidar de você', eu acreditei. Não pude responder, não tinha condições, contudo, diria que você também não está sozinho, eu estou aqui.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

O canto

Poderia apelidar esse blog de "coisas que gostaria de falar para você mas você não se importa o suficiente e portanto não merece ouvir" mas achei muito extenso.

Eu sempre me incomodei com bagunça. Não me leve a mal, eu gosto do caos, gosto mesmo. Minhas playlists são completamente aleatórias, numa hora você está chorando a dor de um coração partido ao som de Adele e noutra está gritando a plenos pulmões um samba...
Eu encontro descanso no caos. Mas não qualquer caos. O caos de uma casa bagunçada me tira completamente do eixo. Basta um lugar caótico e esse lugar é meu interior. Acho que por isso me encontro sempre com pessoas em completo desarranjo interior as admiro. 
Quero saber, como você lida com seu caos? Fico curiosa tal qual um bebê descobrindo as cores do mundo! Mas, há gentes, que empurram o próprio caos pra debaixo do tapete. Essas pessoas... Ah! Essas pessoas são como uma casa bagunçada aos meus olhos.
Você acha que tá tudo bem: começa com um lápis em cima da mesa; 1 hora depois o lápis se transforma em um lápis e um caderno; mais um tempo se passa e você tem um lápis, um caderno e um dinossauro. Você nem sabe como aquilo foi parar lá e não dá pra ignorar... Acontece o mesmo dentro da gente. Então, como você empurra esse dinossauro pra debaixo do tapete? Ao invés de me fascinar, isso me estressa.
Lide com seus dinossauros ou abrace-os e aprenda a viver com eles, mas nunca, jamais, finja que eles não estão ali.
Você se bagunça, bagunça os outros e não resolve nada (mas vive como se tivesse resolvido). Eu não conseguiria viver fingindo que não existe aquela dor, aquele assunto mal resolvido... 
Por isso, todas as vezes que coloco aquela banda pra tocar (e eu evito muito, mas muito mesmo) o inacabado, o não resolvido, o caderno que falta preencher a última folha, ta ali. Não foi escolha minha, nunca esqueci dele, mas não se pode forçar a escrita. O que me resta é esperar, apenas esperar.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

O tempo

Eu poderia não voltar aqui mais, acho que ninguém além de mim vem. Hoje, excepcionalmente hoje, algo transbordou em mim.

É um pouco complicado, digo ainda é complicado revisitar esses sentimentos. Fazem o que? 4 anos? Achei que tinha resolvido tudo isso dentro de mim, mas talvez eu precisasse de mais tempo.

Esse texto não é questão de mérito, você definitivamente não o merece. Não merece e não se importa em não merecer. Estou aqui por mim. Cheguei aqui para escrever aquilo que gostaria que soubesse...

Quantas músicas compartilhamos? Quantos shows em que você cruzava meu pensamento sem autorização? E a exposição do Renato Russo, lembra desse plano? Tem também o violão que nunca te ouvi tocar... E um lado seu, ah esse lado seu eu gostaria de nunca ter visto. Em algum espaço-tempo guardo a imagem de alguém que me ajudou na construção de meu eu. Nesse lugarzinho secreto, você ainda vive. Não há acesso livre, não se engane! Tem que passar por raiva, ressentimento, muita sensação de ter sido enganada... Aí lá, numa portinhola pequena, está você. Com toda certeza é alguém que eu construí com o material sólido (em minha concepção) doado por você. Porém, 10 anos depois, todo esse alicerce começou a rachar. 

Bom, é fato que todos nós somos quebrados e colados na vida, não nos demonstramos por inteiro para todo mundo - vai por mim, eu mesma mostro minha melhor versão para QUASE todo mundo. Há uns poucos privilegiados que me conhecem toda, esses ficarão -.

Eu sou muito boa em me perder dentro de mim e fora também, me desculpa.

A verdade é que só vim aqui pois uma banda, sim a banda toda, me lembra você e tenho a sensação de que sempre... Será que há algo de mim ainda aí dentro? Será que sequer houve? Não importa... Eu aprendi com o tempo e as pedras no caminho, a viver a minha verdade e acreditar que o outro também viveu a sua verdade...

Gostaria apenas de dizer, nessa prolixidade toda: você não me bagunça mais. Obrigada por me tumultuar por tanto tempo, acredite, era um sentimento lindo. A liberdade dele é ainda mais bonita.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Abismos

 Acordei bem cedo hoje (isso era previsto e, sendo honesta, quase não dormi essa noite).

Coloquei uma música que estou viciada e me ajuda a refletir, talvez por não entender a letra e só a sentir dentro de mim... (O link vai no fim da postagem)

Vou tentar me ater ao que está em meus pensamentos nesse momento, embora seja muito difícil organizar todas as coisas transbordantes dentro de mim. 

Já parou para pensar quantos abismos enfrentamos em nossas vidas? Por exemplo, esse abismo entre o que nós queremos sentir e o que de fato sentimos - é o que estou enfrentando agora -. É tão complexo quanto parece, caro leitor. Aposto que você, assim como eu, antes de dormir, imagina situações na sua cabeça e, com isso, sua possível reação, certo? Dentro de nós, sabemos cada sensação e entre devaneios, tentamos prever nossa reação. É, na vida real não reagimos como esperávamos, certo? Não sei vocês, mas acho que eu sou uma atriz orgânica nessa vida. Não consigo dissimular reações e assim que tento o vislumbre da reação que eu deveria ter, meus olhos denunciam a mentira.

Então, como enfrentar esse abismo? Não é uma retórica, é um pedido de ajuda! Meu método "vou fazer de tudo para aproximar meu coração daquilo que quero sentir" não está sendo tão eficaz. Está tudo bem chorar, sabe? Sou adepta inclusive, porém, como fazer para que doa menos?

Me desculpem o excesso de pausas nesse texto, talvez seja meu jeito de tentar sentir o que eu sinto de um jeito diferente: saboreando aos poucos a situação. Não funciona, só pra avisar hahaha

O que eu quero frisar aqui, em meio aos pensamentos desorganizados de alguém que sente muito e muitas coisas, é que, às vezes, poucas, admito, é possível aproximar a beira das pedras do fim desse abismo. Mesmo que ainda sinta uma dorzinha lá no fundo, eu consigo diminuir a distância entre o que eu gostaria de sentir e o que sinto. Já considero isso uma vitoria.

De vez em quando, tudo o que a gente quer é não se sentir um estranho nesse mundo todo. O que a gente quer, no fundo, é saber que tem alguém que sente como a gente e essa pessoa vai entender nossas reações e nosso sentir, sem nos julgar. Isso ajuda bastante, é, por vezes, quem puxa a corda que te tira do abismo.


(Link da música: https://youtu.be/8qcSdqc7QYo )

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Todas as coisas que nunca te disse e outras linhas

Você me deixa nervosa, não de um jeito ruim (ou muito ruim)... Eu fico nervosa quando tenho que despir meu cérebro perto de você. É o medo de que descubra que não sou tão inteligente assim. Parece que, se eu disser uma coisa errada, por menor que seja, acabou.
Muitas vezes eu sei a resposta das coisas que você pergunta. Sei porque leio, estudo. Sou apaixonada por essa ciência da terra, pelo jeito de contar história através do chão que pisamos. Entretanto, sou capaz de esquecer meu nome, tamanha insegurança que me habita.
Ao mesmo tempo, não lembro da última vez que me senti tão a vontade perto de alguém assim como você... Conversando, almoçando, nua.
Você fez com que eu me sentisse no caminho certo pela primeira vez, em muitos, muitos anos. Isso aconteceu através de suas palavras e o jeito de confrontar a vida, a ciência e suas complicações.
Às vezes eu só quero fugir pro mato. Ficar longe de tudo, de todo mundo. Existir num lugar no qual pudesse ler e reler aquelas linhas e escrever as minhas próprias.
Eu tenho medo, muito medo. Mesmo que o pior que poderia me acontecer já tenha me atingido, eu tenho medo que esse meu lugar não seja meu e então, eu não saberia o que fazer.
Eu choro muito, por exemplo, estou chorando agora enquanto escrevo. E me sinto sozinha, inúmeras vezes. Em algumas dessas eu gostaria de te chamar pra tomar uma cerveja e jogar conversa fora.
Amo abraços, mesmo. Alguns são capazes de juntar os caquinhos aqui dentro.
Eu acho que você também tem medo.
Eu menti para você. Eu encontrei meu lugar e essa é a única certeza que tenho agora