quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poesia!

, Esse é um dos mais belos, dos mais completos... Ahhh Vinicius! Ahhh Vinicius...

Soneto de separação - Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

E quantas coisas não nos acontecem no 'de repente'? Quantos repentes, que nos pegam e tiram ou colocam coisas, pessoas...

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